Provas de Corridas

As corridas, no atlestismo, dividem-se nas seguintes modalidades, 100 metros rasos, 200 metros, 400 metros, 800 metros, 1500 metros, 3000 metros e maratona.


1- 100 metros rasos:
A prova de 100 metros rasos é uma modalidade olímpica de atletismo, considerada a prova rainha das corridas de velocidade. Dura pouco menos de 10 segundos e os respectivos vencedores são muitas vezes apelidados de homem / mulher mais rápido do mundo. Um atleta dá 45 passadas em média para percorrer o percurso e cruza a linha de chegada a cerca de 36 km/h. Uma pessoa comum faria a prova com 100 passadas e a uma velocidade de 22,5 km/h.
Os 100 metros rasos foram introduzidos no programa olímpico em Jogos Olímpicos de Verão de 1896 para homens e nos Jogos de 1928 para mulheres. Os primeiros campeões olímpicos foram, respectivamente, Tom Burke e Betty Robinson dos Estados Unidos da América.
O recorde mundial dos 100 metros masculinos pertence a Usain Bolt, da Jamaica, obtido durante o Campeonato Mundial de Atletismo em Berlim, na Alemanha, em 16 de agosto de 2009, com a marca de 9,58 segundos. Nas mulheres, o recorde de 10,49 segundos pertence a Florence Griffith Joyner, estabelecido em Indianápolis em 1988.
Evolução
Todos os atletas de 100 metros rasos são treinados para responder ao disparo do tiro de partida com prontidão. Um velocista campeão gasta em média dezoito centésimos de segundo para dar início à sua corrida. Uma pessoa determinada levará cerca de 27 centésimos de segundo para reagir. A respiração é também muito treinada: os atletas inspiram na largada, expiram e inspiram novamente na marca dos 50 metros e expiram novamente só no fim da corrida.
No primeiro movimento o atleta avança cerca de cinco metros e as passadas iniciais medem 1,60 m. Os campeões atingem sua velocidade máxima (ca. 43 km/h) aos 35 metros de corrida, quando a extensão das passadas é em torno de 2,10 metros, e consegue mantê-la até os setenta metros. Um atleta comum já terá alcançado a velocidade máxima (27 km/h) na altura dos 25 metros de prova e começa a desacelerar a cinquenta metros do final da competição.
Regras
Nessa prova, os atletas calçam sapatilhas que são tão leves quanto as de balé e pesam 170 gramas cada (50% menos que um chinelo estilo Rider). As solas têm pregos de comprimento máximo fixado em 8,4 milímetros, e a espessura da sola não pode ultrapassar treze milímetros.
No caso de uma chegada embolada, os juízes irão observar a posição dos ombros ou do torso do atleta para determinar o vencedor. Pernas e braços não são levadas em conta.
Na regra de 2010, um atleta é desqualificado da prova se realizar uma falsa partida.
As condições atmosféricas, em particular o vento, são muito importantes na prova dos 100 metros, pois podem influenciar os tempos de chegada. Para efeitos de recorde do mundo, não são consideradas provas corridas com ventos traseiros de mais de 2 m/s.
História
A modalidade tem sido dominada por atletas norte-americanos/estado-unidense desde a sua primeira aparição nos Jogos Olímpicos de Verão em 1896. Entre os medalhados olímpicos da prova contam-se Jesse Owens (dos Estados Unidos), que chocou o regime nazi com a sua vitória nos Jogos de 1936 em Berlim, Fanny Blankers-Koen (dos Países Baixos), conhecida como a Dona de Casa Voadora, e Wilma Rudolph.
Em 1968, Jim Hines foi o primeiro homem a fazer os 100 metros rasos em menos de 10 segundos, marca mais tarde baixada para os 9,95s. Este recorde durou quinze anos, até que outro norte-americano/estado-unidense, Calvin Smith, chegou aos 9,93s, em 1983. A maior polémica da prova surgiu com a vitória do canadense Ben Johnson, no evento dos Jogos de 1988 em Seoul, depois de uma rivalidade de meses com Carl Lewis. Johnson ganhou a medalha de ouro com o recorde do mundo de 9.79 s, mas viria a ser desqualificado por uso de esteróides.
Porém, atualmente, a Jamaica é o país mais forte nas corridas de velocidade. Asafa Powell, e depois Usain Bolt, acabaram com a supremacia americana.

2 - 200 metros rasos:
Os 200 metros rasos é uma disciplina olímpica de atletismo. A prova é provavelmente a mais antiga de todas as provas atléticas, já que a primeira corrida que se disputou nos Jogos Olímpicos da Antiguidade, o stadion, media mais ou menos 600 pés gregos, o que equivale sensivelmente aos nossos modernos 200 metros.
Os 200 metros são uma prova de velocidade, geralmente corrida por atletas que também participam ou nos 100 metros (por exemplo, Florence Griffith-Joyner) ou nos 400 metros rasos (por exemplo, Michael Johnson).
Num estádio de atlestismo com uma pista de 400 metros, esta prova começa numa das curvas e termina na recta da meta. Esta particularidade exige o treino de uma combinação de técnicas, que não está presente nos 100 metros (disputados numa linha recta). Embora seja uma prova mais longa, os 200 metros são corridos com mais velocidade que os 100 metros: o record do mundo de 19.19 s de Usain Bolt corresponde a uma velocidade de 37.52 km/h, enquanto que a marca de 9.58 s do mesmo Usain Bolt nos 100 metros representa uma velocidade de 37.58 km/h. Isto deve-se ao fato de, nos 200 metros, os atletas chegarem à reta final em velocidade de ponta, o que permite que a segunda metade da prova seja mais rápida que a primeira.
História
O vencedor da primeira Olimpíada (ca. 776 a.C.) foi Korebos de Elis. O primeiro recorde de que se tem notícia está creditado ao britânico William Collett, que em 24 de novembro de 1866, em Londres, correu as 220 jardas (201,16m) em 23 segundos cravados.
Já na era da Associação Internacional de Federações de Atletismo (IAAF), a primeira marca registrada pertence a William Applegarth, da Grã-Bretanha, que marcou 21,2 também nas 220 jardas, em Londres, em 4 de julho de 1914.
No Brasil, o primeiro recorde reconhecido foi do atleta Gil de Souza, vencedor do I Campeonato Brasileiro em 1925, com o tempo de 23,0.
Alguns atletas de 200 metros famosos são Michael Johnson, Jesse Owens, Francis Obikwelu, Frank Fredericks, Carl Lewis e Fanny Blankers-Koen, Marion Jones, Wilma Rudolph e Marie-José Perec nas senhoras.

3 - 400 metros rasos:
Os 400 metros rasos são uma modalidade olímpica de atletismo onde os competidores correm uma volta à pista. É a mais longa das provas de velocidade pura.
Os corredores saem de uma linha de partida escalonada, de dentro para fora da pista, que compensa o efeito da curva e garante a mesma distância para todos. A chegada é feita na meta oficial da pista de atletismo.
Os 400 metros estiveram presentes em todas as edições dos jogos olímpicos da era moderna. O primeiro campeão olímpico foi o estado-unidense Tom Burke, que também ganhou a primeira medalha de ouro nos 100 metros. O episódio mais controverso da história da modalidade ocorreu nos Jogos de 1908 em Londres, na final olímpica da prova, que contou com três estado-unidenses e um britânico. A polémica surgiu quando um concorrente dos Estados Unidos foi desqualificado por bloquear a passagem do britânico Wyndham Halswelle, numa manobra permitida pelas regras dos EUA, mas ilegal segundo o regulamento britânico. Após diversos protestos, a corrida foi anulada e os três restantes concorrentes foram chamados a correr nova final. Os dois estado-unidenses que restavam recusaram-se a colaborar e boicotaram a final. Halswelle correu sozinho e recebeu a medalha de ouro num pódio vazio.
O evento de senhoras apareceu pela primeira vez nos Jogos de 1964 em Tóquio, onde foi vencido pela australiana Betty Cuthbert. Em Sydney 2000, a prova foi vencida por Cathy Freeman, a primeira aborígene a ganhar uma coroa olímpica.
O recordista mundial é Michael Johnson, com um tempo de 43,18 segundos, estabelecido em 26 de agosto de 1999, em Sevilha.
É a prova mais amplamente dominada pelos Estados Unidos no atletismo masculino. Durante o ano de 2009, por exemplo, constatava-se que os 12 melhores corredores da história desta prova eram americanos, e que somente os atletas dos EUA conseguiram completar a prova abaixo de 44 segundos.
Em 2012 Kirani James tornou-se no primeiro não-americano a correr abaixo dos 44 segundos com apenas 19 anos de idade em Londres 2012.

 

4- 800 metros:
A corrida de 800 metros é uma prova olímpica clássica, disputada desde a edição dos jogos realizada em Atenas, em 1896. Consiste em duas voltas na pista oficial de atletismo, que mede 400 metros. É considerada uma prova de meio-fundo.
O atual recorde olímpico da prova é de 1m42s58 e pertence ao norueguês Vebjørn Rodal desde os Jogos de Atlanta em 1996. O recorde mundial é de 1m41s01, marca alcançada pelo queniano David Rudisha em Rieti, na Itália, em 2010.
O brasileiro Joaquim Cruz foi campeão olímpico desta prova nos Jogos de Los Angeles em 1984 e medalha de prata nos Jogos de Seul em 1988. Joaquim Cruz é o terceiro atleta mais rápido de sempre nesta distância. A atleta lusófona mais destacada nos 800 metros é a moçambicana Maria de Lurdes Mutola, 3 vezes campeã do mundo e campeã olímpica da especialidade em Sydney 2000.
Os 800 metros fazem parte do programa olímpico desde a primeira edição da era moderna em Atenas, 1896. O primeiro campeão olímpico foi o australiano Teddy Flack.
Para senhoras, a prova foi apresentada pela primeira vez nos Jogos de Amesterdão em 1928. A primeira campeã olímpica foi Lina Radke da Alemanha, numa prova que acabou por ser muito polémica. Todas as atletas que acabaram a prova mostraram tantos sinais de exaustão à chegada da meta, que o Comité Olímpico Internacional decidiu banir corridas para senhoras com distâncias superiores a 200 metros. Os 800 metros senhoras só voltaram aos Jogos em 1960.

 

5- 1500 metros:
A prova de 1500 metros é uma corrida de média distancia, ou meio-fundo, e a resistência do atletas é posta em prova, juntamente com a sua capacidade táctica, de gerir o esforço em função da corrida. Nos Estados Unidos da América é também usual existirem provas de 1600 metros, por ser o valor aproximado de uma milha.
Em pista de 400 metros, são necessárias 3 voltas e 3/4 para se completarem os 1500 metros, sendo frequente assistirem-se a sprints prolongados, de duração superior a uma volta. O recorde mundial pertence ao marroquino Hicham El Guerrouj desde 1998, com os 3:26.00 obtidos em Roma.
Os 1500 metros fazem parte do programa olímpico desde os Jogos de Atenas 1896. O primeiro campeão foi Teddy Flack da Austrália. A prova feminina estreou-se nos Jogos Olímpicos de Munique 1972, com a vitória de Lyudmila Bragina da União Soviética.
Dois atletas portugueses com destaque na modalidade são Carla Sacramento, campeã do mundo em 1997, e Rui Silva, medalha de bronze em Atenas 2004.
O queniano David Lekuta Rudisha é o atual recordista mundial dos 800 metros.

 

6- 3000 metros:
3000 metros é uma popular prova de meia-distância em pista de atletismo, que consiste em 7,5 voltas na pista de 400 m e já foi uma prova olímpica, sendo atualmente disputada apenas em torneios amadores na Europa e Estados Unidos, onde é uma prova popular em competições disputadas por estudantes de nível secundário e universitário. No entanto, na pista coberta, continua a fazer parte do programa oficial.
A prova foi disputada no atletismo dos primeiros Jogos Olímpicos, quando era dominada principalmente pelos finlandeses, sendo depois substituída pelos 5000 m, mas manteve-se até os anos 90 como uma das provas clássicas do atletismo olímpico feminino, quando as mulheres eram impedidas de disputar provas mais longas, até ser oficialmente substituída pelos 5000 e 10000 m em Atlanta 96.
Os recordes mundiais da prova em estádio e em pista coberta pertencem ao queniano Daniel Komen.

 

7- Maratonas:
Maratona é uma das provas mais longas, desgastantes e difíceis do atletismo olímpico. Ela é disputada na distância de 42 195 m (42,195 km) desde 1908. É tradicionalmente o último evento dos Jogos Olímpicos.
A maratona lendária
No ano de 490 a.C. quando os soldados atenienses partiram para a planície de Marathónas para combater os persas na Primeira Guerra Médica, suas mulheres ficaram ansiosas pelo resultado porque os inimigos haviam jurado que, depois da batalha, marchariam sobre Atenas, violariam suas mulheres e sacrificariam seus filhos.
Ao saberem dessa ameaça, os gregos deram ordem a suas esposas para, se não recebessem a notícia da sua vitória em 24 horas, matar seus filhos e, em seguida, suicidarem-se.
Os gregos ganharam a batalha, mas a luta levou mais tempo do que haviam pensado, de modo que temeram que elas executassem o plano. Para evitar isso, o general grego Milcíades ordenou a seu melhor corredor, o soldado e atleta Filípides, que corresse até Atenas, situada a cerca de 42 km dali, para levar a notícia. Filípides correu essa distância tão rapidamente quanto pôde e, ao chegar, conseguiu dizer apenas "vencemos", e caiu morto pelo esforço.
No entanto, Heródoto conta que, na realidade, Filípides foi enviado antes da batalha a Esparta e outras cidades gregas para pedir ajuda, e que tivera de correr duzentos e quarenta quilômetros em dois dias, voltando à batalha com os reforços necessários para vencer os persas
Seja como for, cerca de 2400 anos mais tarde, em 1896, nos primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, Filípides foi homenageado com a criação dessa prova cuja distância era de 40 km, mas que desde 1908 está estipulada em 42,195 km.

 

Maratonas desportivas
Em 1896, durante os primeiros Jogos Olímpicos da era moderna, Filípides foi homenageado com a criação da prova. No início, a distância a ser percorrida era de cerca de quarenta km, a mesma que separava Maratona de Atenas. O grego Spiridon Louis foi o primeiro campeão olímpico de maratona. Na edição de Estocolmo 1912, o português Francisco Lázaro morreu durante a prova.
Nos Jogos de 1948 em Londres, a distância da maratona olímpica foi estabelecida. Até aí, a distância era variável, embora sempre próxima dos quarenta km. Para que a família real britânica pudesse assistir ao início da prova do jardim do Palácio de Windsor, o comitê organizador aferiu a distância total em 42 195 metros, que continua até hoje.
A mais antiga maratona anual do mundo é a Maratona de Boston, nos Estados Unidos, disputada em todo feriado do Dia do Patriota, na terceira segunda-feira de abril, desde 1897.
As maiores maratonas mundiais constituem o circuito World Marathon Majors (WMM), estabelecendo um prêmio no valor de um milhão de dólares para o melhor classificado feminino e masculino, no final da temporada.
Pertencem ao WMM as maratonas de Boston, de Londres, de Berlim, de Chicago e de Nova York.
Atualmente, o recorde mundial pertence ao queniano Patrick Makau, que no dia 29 de Setembro de 2011, em Berlim, estabeleceu o tempo de 2h 03m 38s.
Anteriormente, dois atletas de língua portuguesa já quebraram o recorde mundial da maratona: o português Carlos Lopes em Roterdão, em 1985, com 2:07.12 e o brasileiro Ronaldo da Costa em Berlim, em 1998, com 2:06.05.
A primeira prova oficial de maratona feminina foi nos Campeonatos da Europa de Atletismo em Atenas em 1982, prova ganha pela atleta Rosa Mota.
A maratona feminina foi introduzida nos Jogos de Los Angeles em 1984. A portuguesa Rosa Mota ganhou a medalha de bronze e, quatro anos depois em Seul, alcançou a medalha de ouro.
Uma prática comum durante as competições de maratona é a participação de corredores conhecidos como pacesetters, ou "lebres", em português. A função deles é servir de guia para os demais
competidores, o que acirra a competição e facilita a obtenção de recordes. Esta prática, entretanto, é usada apenas em maratonas anuais pelas cidades do mundo que tem grandes patrocínios e pagam grandes prêmios em dinheiro, e geralmente no intuito de perseguir melhores tempos. Nas maratonas oficiais da IAAF e do COI, não existem este tipo de corredores contratados.


Regras
O percurso deve seguir estradas pré-determinadas.
Os competidores não podem correr sobre terra ou relva.
A cada cinco quilômetros, estações de descanso devem estar disponíveis. Os corredores não podem descansar em locais não especificados pelo comitê organizador.
Qualquer corredor que receba ajuda externa será automaticamente desclassificado.
Se a equipe médica determinar que um atleta não tem condições de continuar a corrida, o corredor deve se retirar imediatamente.